quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
A vida não é só um grito de carnaval...
Meus caros atletas pangarés. Apesar da fantástica diversão de sábado, a semana veio e as corridas seguiram seu curso. Nesta tivemos o incremento do Neves, corredor que fez nosso tempo melhorar significativamente. Quem quiser, pode acompanhar o percurso de hoje no site do Endomondo Running Workout: Corremos 9.93 km em 1h:09m:46s conforme a medição do Endomondo no celular.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Mais uma performance genuína.
Mais uma exibição genuína dos atletas corredores. Aqui numa versão pop-punk-rock-batucada de "Carinhoso".
Nada como estar entre amigos e poder se divertir
Noel Rosa e João de Barro devem se remexer no túmulo ao perceberem esta profanação que fizemos da música deles.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Sequência de imagens emocionantes do Carnaval dos Panga Runners





Momento da minha medicação. Apesar do descontraído evento, não pude deixar de cuidar da saúde.
Panorâmica da festa, vista sentido sul, norte.
Autoridades Civis e Militares se fizerem representar.
Com cabelos brancos ou poucos cabelos, não importava. Reparem atrás o sujeito querendo fazer parte da turma de altetas trotantes Panga Runners.
Aqui, fazendo pose, animados foliões entoam um sucesso dos anos 50 do século passado: "Trem das Onze
Abaixo, a turma continua fazendo pose, agora abaixo sem meu boné do Pateta, com a presença do atleta Eduardo.
Grito de Carnaval pára Oswaldo Aranha

Panorâmica da turma de atletas que se reuniram no primeiro grito de carnaval dos atletas pangarés de Juiz de Fora. Chanceler Oswaldo Aranha segura o bafafá e ninguém pára a alegria da galera.
O Sucesso foi total. O encontro dos Panga Runners colocou o espírito de Momo na rua. Uma tarde de descontração e festa na varanda do Victory Suites, em frente ao bar do Bigode, o Rei do torresmo de Minas Gerais. Ou como preferem os Yankes, 'King of the cracklings".
O que vem ao caso é a festa de Momo promovida pelos corredores pangarés. E como o cliché fala mais alto, as imagens gritam. Nesta cena, sambando ao som do bangô ritmado do Luiz Fernando mostrando a língua logo atrás, a atleta Adriana (com meu boné do Pateta). Também ao lado, direito, nosso presidente Giba, faraó, rei, imperador, paxá, dono de capitanias hereditárias etc faz pose junto a animadas atletas de momo. "segura o clic para eu ficar mais tempo aqui" dizia a magestade, ave!
Acima vocês podem confirmar a presença dos inconfundíveis "Disritmia Trio Show". Maestro Luis Fernando no Bangô de Suporte, Luiz Cavalini no Tamborim de vara dupla e Scarlatelli no surdo de fazer dó. No momento entoavam o empolgante samba-rock-pop-sertanejo-automobilístico "Fuscão Preto"

Esta cena, com o perdão do narcicismo, sou eu de braços abertos com meu chará Luis Fernando entoando uma marchinha de carnaval chamanda "Bandeira Branca". Pra quem não conhece procure no google.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Concentração - SABADO FOLIA - PANGARUNNERS
Neste sabado 19/02-2010 haverá a FOLIA dos Corredores UFJF. A festa está preparada e o bloco já está em concentração. A entrega do ABADA, afinal o nosso bloco é quase AXÉFOLIA, iniciou ontem. Mas prestigiada a dupla das 06:00 teve a entrega no momento do treino e segue o registro.
Ave Presidente GIBA
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Pré Carnaval Pangaré Runners - tem data e hora .... Participe!
A turma de Corredores UFJF organiza um pré carnaval para confraternizar e festejar! A corrida embora alguns sempre acompanhados, outros sozinhos, temos a lista e a revista para comunicar e manter em dia o papo e conversas. Com isto, sempre motivo de festejar, amizade e esporte, o Carnaval, que está na proximidade, vale o Grito!
Tem data e hora!
Tem animação e companhia!
Tem até marchinha....
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Corrida e Queijo Minas combinam?

O atleta de ponta Montenegro diz que não, depois de tentar uma ida à Escolinha com alguns queijos na mochila. Na foto, vemos o queijo Minas em seu estado puro, momentos antes de ser comercializado.
A notícia de que o queijo, rica fonte em cálcio que fortalece os ossos, é aliado do corredor, chegou distorcida aos ouvidos do Montenegro. Ele pensou que a grande sacada seria correr com o produto, e não consumí-lo antes.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
hor concours: Valmir Nunes!

Recorde Mundial de 1995 a 1998 de 100Km - com o tempo de 6h18' 09
Recordista das Américas 100Km, com 6h18'09 e de 24 Horas com 273Km
Melhor tempo em campeonato Mundial de 100Km, com o tempo de 6h18'09 – Holanda
Recordista das Américas, brasileiro e Sul-americano de 100Km e de 24 horas
Pista 273 Km800m – China;
Rua 270 Km200m – Brasil;
Recordista do Mundo de 135 Milhas – Badwater
Depoimento de Valmir Nunes
Valmir Nunes conta momento a momento como foi quebrar o Recorde Panamericano na prova de 24 Horas , em que o ultramaratonista percorreu 273,8 quilômetros. O doutor Milton Mizumoto, da clínica Mizu Motion, explica o que aconte com o seu corpo durante a corrida.
Primeira parte
0 – 4 horas – 53 quilômetros percorridos
Nunes: Não falta fôlego e não há dor nas pernas. Nesse momento, a cabeça está concentrada em estabelecer e manter um ritmo. Além disso, existe uma atenção constante com a hidratação do corpo, que é feita a cada quinze minutos com água, isotônicos ou até mesmo refrigerante.
Mizumoto: A partir dos 30 minutos, a contribuição energética provém mais da queima da gordura do que da queima da glicose. Os alvéolos pulmonares se abrem mais e captam maior quantidade de oxigênio, facilitando a oxigenação dos músculos. Acontece uma abertura dos vasos capilares para que os músculos recebam mais oxigênio e nutrientes energéticos. A partir de 60 minutos, começa a liberação de beta endorfina, substância que dá ao cérebro a sensação de bem-estar.
Segunda parte
4 – 8 horas – 104 quilômetros percorridos
Nunes: Aparecem as primeiras dores nas laterais das coxas. É necessária maior concentração para manter o ritmo. O atleta começa um jogo mental de motivação: "Cheguei nas oito horas, agora faltam só quatro para completar doze horas".
Mizumoto: Acontece uma ligeira desidratação e o sangue fica mais denso em decorrência disso, dificultando o aporte de oxigênio e nutrientes, e aumentando a concentração de ácido láctico nos músculos. Esse quadro leva à dor muscular.
Terceira parte
8 – 12 horas – 150 quilômetros
Nunes: O atleta começa a ingerir comida, sempre em pequenas quantidades: meia barra de cereal ou chocolate, meia banana, uva passa ou nozes. O corredor não pode sentir fome – a fome é um indicativo de que a energia do seu corpo está se esgotando . Isso é um problema, porque não dá para repor essa energia durante a corrida. A dor nas coxas continua estável. Mantém o jogo mental de motivação.
Mizumoto: Antes que o atleta comece a ter uma hipoglicemia (queda na taxa de açúcar no sangue), ele começa a repor suas reservas com alimentos de fácil digestão, principalmente carboidratos. Isso evita a tontura ou desmaio por hipoglicemia, já que o cérebro só se alimenta de glicose .
Quarta parte
12 – 16 horas – 193 quilômetros
Nunes: A dor aumenta e as pernas começam a ficar pesadas. O processo de alimentação e hidratação continua a cada quinze minutos. O cérebro passa a emitir um sinal pedindo para parar – "parece que uma parte de você quer desistir", diz. A corrida se transforma em uma luta interna entre a vontade de se superar e o desejo de desistir.
Mizumoto: A dor aumenta em decorrência não só do acúmulo de ácido láctico mas também devido à lesão causada nas proteínas das fibras musculares. O cérebro reconhece essa dor e tenta fazer com que o corredor pare com o esforço físico como forma de auto-preservação.
Quinta parte
16 - 20 horas – 232 quilômetros
Nunes: Esse é o momento mais crítico da prova. O atleta entra em transe e parece um zumbi correndo. Já ultrapassou todos os limites mentais e físicos. As articulações estão duras, a musculatura do corpo também endurece, as pernas doem mais e o rosto está pálido. A cabeça automatiza a corrida e o corredor passa a exigir um esforço maior do corpo todo, principalmente de seus braços e pernas.
Mizumoto: O atleta precisa transpirar para dissipar o calor produzido pela contração muscular. Isso agrava o processo de desidratação que já é maior do que a quantidade de água que o corredor consegue absorver. Com o aumento da desidratação, diminui a fluidez do sangue dentro dos vasos capilares, piorando ainda mais a dor. Há também um aumento da lesão por excesso de uso e impacto de toda a estrutura articular dos membros inferiores (ligamentos e cartilagens). O rosto fica pálido em função da diminuição na circulação.
Sexta parte
20 – 24 horas – 273,8 quilômetros
Nunes: Agora, o jogo mental de motivação é feito a todo instante. Isso ajuda a diminuir o desafio da "reta final" e a tornar a corrida mais fácil de terminar. O corredor começa a sonhar com um bom resultado e com as marcas que pode atingir se conseguir se esforçar ainda mais. A dor no corpo continua e as pernas estão mais pesadas. Desistir deixa de ser uma opção: ou o atleta termina ou "morre" ali mesmo.
Mizumoto: O bem-estar provocado pela beta endorfina não é mais suficiente para o alívio da dor. Nesse momento, se faz mais do que necessária a disciplina mental adquirida nos treinos. O atleta usa a motivação como principal fator para ignorar a dor.
Última hora
Nunes: A vontade de chegar e a expectativa de fazer um bom resultado criam um efeito psicológico que ameniza as dores e o cansaço. O competidor "ganha" uma energia extra para concluir a prova. Quando cruza a linha de chegada, o atleta passa alguns momentos sem sentir dor devido à emoção. Depois, ele sente dor e cansaço generalizados , podendo até desmaiar.
Mizumoto: Além da disciplina mental, o atleta tem um a descarga extra de adrenalina no sangue. Assim, ele consegue recrutar seus últimos depósitos de energia. Nessa hora, o corredor chega a correr até mais rápido do que antes , porque a adrenalina aumenta a freqüência cardíaca, a quantidade de sangue bomb e ada pelo coração e os músculos ficam mais velozes e potentes. Após a chegada, o nível de adrenalina diminui e o ácido láctico continua alto em razão do esforço final. Quando o atleta pára de vez , o sangue desce para os membros inferiores, diminuindo o fluxo sanguíneo no cérebro. Esta situação, conhecida como colapso vascular, é um a das principais causas da ocorrência de desmaios , após provas de longa duração.
Dean Karnazes X Marcio Villar. Quem é o melhor?
« Bate papo com Rodolfo Peres Especialista em Nutrição EsportivaWorkshop de Nutrição Esportiva & Treinamento – Probiótica 09 »Bate-papo com Marcio Villar o Maior Ultramaratonista do Brasil
Sep 26th, 2009 by Esporte Social
O convite para o bate-papo com o Marcio, me surgiu após uma matéria que eu li na Revista Época em meados de Agosto, onde aparecia o corredor americano Dean Karnazes como um dos maiores ultramaratonistas que já existiu, e ao colocar a matéria aqui no Esporte Social, eis que vejo o comentário na própria reportagem pela a internet:
“Ultramaratonista Brasileiro – Vocês sabiam que eu sou o unico atleta do mundo inteiro a finalizar a Copa do Mundo de 217 km em ambientes extremos, a badwater que o dean desmaiou na primeira vez que fez, eu na primeira vez trouxe a fivela para o Brasil, o Dean correu uma maratona com 40º negativos, eu corri 217 km com 40 negativos conforme foi acompanhado pelo esporte espetacular, já corri 7 dias dentro da Floresta Amazônica, ja Corri 217 Km na serra da mantiqueira, o Recorde de Brasilia a Goias é meu, no mês passado corri do Rio de Janeiro a Búzios(200 Km) divulgando o trabalho do INCA na cura do Câncer, nesse sábado corri 100 Km em esteira no Mc Dia feliz para ajudar as crianças com Câncer, a diferença é que o atleta é americano e o brasileiro ninguem da valor.”
Depois disso pensei em procurar imediatamente esse talento nacional, onde ele compartilha as suas experiências, e diversas histórias da sua vida e a curiosa forma em entrou no mundo das ultramaratonas, e mostra que até a vida esportiva “extreme” requer diversos cuidados e proporciona momentos incríveis.
Esporte Social: Defina para os leitores do Esporte Social quem é Márcio Villar?
Márcio Villar: Marcio é um cara apaixonado pela Ultramaratona, onde se sente feliz e realizado.
Esporte Social: Apresente ao pessoal do Esporte Social os seus recordes e conquistas.
Márcio Villar: Único atleta do mundo a finalizar a Bd 135 World Cup, a Copa do mundo de 217 Km em ambientes extremos considerada a mais difícil do mundo.Recordista do desafio Brasília-Goiás (140 Km), Campão das 24 horas do Rio de janeiro em 2007, 29/08/2009 ” DESAFIO 100 Km em esteira – Mc Dia Feliz 10:34Hs, 18 e 19 de julho 2009 ” DESAFIO RIO DE JANEIRO / BÚZIOS” 200 Km, Divulgando o INCA Voluntário, 05/2009 – 24 Horas de Santa Maria – RS 2º Categoria, 02/2009 – Arrow Head Ultramaratona USA – Na neve – 50º abaixo de zero 6º Lugar Geral, 10/2008 – Jungle Marathon – Floresta Amazônica 5º Lugar Geral, 07/2008 – BadWater Ultramaratona 2008- EUA Tempo: 42:07Hs, Fivela 12/2007 24 Horas da Argentina 8º Lugar Geral, 09/2007 – Ultramaratona de Brasília – Pirinópolis (Goiás) – 140 Km RECORDISTA DA PROVA, 08/2007 24 Horas de Mesquita – RJ 1º Lugar Geral, 05/2007- 24 Horas de Curitiba 1º Categoria, 01/2007- BR 135 – ULTRAMARATONA 6° lugar Geral, 12/2006 – 24 HORAS DE SALVADOR 2º Categoria, 10/2006 – Jungle Marathon – Floresta Amazônica, 6º Lugar Geral, 04/2006 – Ultramaratona Noturna de 12 Horas – São Caetano do Sul 2º Categoria, 12/2005 – Ultramaratona 24 Horas – São Caetano do Sul 1º Categoria
Sep 26th, 2009 by Esporte Social
O convite para o bate-papo com o Marcio, me surgiu após uma matéria que eu li na Revista Época em meados de Agosto, onde aparecia o corredor americano Dean Karnazes como um dos maiores ultramaratonistas que já existiu, e ao colocar a matéria aqui no Esporte Social, eis que vejo o comentário na própria reportagem pela a internet:
“Ultramaratonista Brasileiro – Vocês sabiam que eu sou o unico atleta do mundo inteiro a finalizar a Copa do Mundo de 217 km em ambientes extremos, a badwater que o dean desmaiou na primeira vez que fez, eu na primeira vez trouxe a fivela para o Brasil, o Dean correu uma maratona com 40º negativos, eu corri 217 km com 40 negativos conforme foi acompanhado pelo esporte espetacular, já corri 7 dias dentro da Floresta Amazônica, ja Corri 217 Km na serra da mantiqueira, o Recorde de Brasilia a Goias é meu, no mês passado corri do Rio de Janeiro a Búzios(200 Km) divulgando o trabalho do INCA na cura do Câncer, nesse sábado corri 100 Km em esteira no Mc Dia feliz para ajudar as crianças com Câncer, a diferença é que o atleta é americano e o brasileiro ninguem da valor.”
Depois disso pensei em procurar imediatamente esse talento nacional, onde ele compartilha as suas experiências, e diversas histórias da sua vida e a curiosa forma em entrou no mundo das ultramaratonas, e mostra que até a vida esportiva “extreme” requer diversos cuidados e proporciona momentos incríveis.
Esporte Social: Defina para os leitores do Esporte Social quem é Márcio Villar?
Márcio Villar: Marcio é um cara apaixonado pela Ultramaratona, onde se sente feliz e realizado.
Esporte Social: Apresente ao pessoal do Esporte Social os seus recordes e conquistas.
Márcio Villar: Único atleta do mundo a finalizar a Bd 135 World Cup, a Copa do mundo de 217 Km em ambientes extremos considerada a mais difícil do mundo.Recordista do desafio Brasília-Goiás (140 Km), Campão das 24 horas do Rio de janeiro em 2007, 29/08/2009 ” DESAFIO 100 Km em esteira – Mc Dia Feliz 10:34Hs, 18 e 19 de julho 2009 ” DESAFIO RIO DE JANEIRO / BÚZIOS” 200 Km, Divulgando o INCA Voluntário, 05/2009 – 24 Horas de Santa Maria – RS 2º Categoria, 02/2009 – Arrow Head Ultramaratona USA – Na neve – 50º abaixo de zero 6º Lugar Geral, 10/2008 – Jungle Marathon – Floresta Amazônica 5º Lugar Geral, 07/2008 – BadWater Ultramaratona 2008- EUA Tempo: 42:07Hs, Fivela 12/2007 24 Horas da Argentina 8º Lugar Geral, 09/2007 – Ultramaratona de Brasília – Pirinópolis (Goiás) – 140 Km RECORDISTA DA PROVA, 08/2007 24 Horas de Mesquita – RJ 1º Lugar Geral, 05/2007- 24 Horas de Curitiba 1º Categoria, 01/2007- BR 135 – ULTRAMARATONA 6° lugar Geral, 12/2006 – 24 HORAS DE SALVADOR 2º Categoria, 10/2006 – Jungle Marathon – Floresta Amazônica, 6º Lugar Geral, 04/2006 – Ultramaratona Noturna de 12 Horas – São Caetano do Sul 2º Categoria, 12/2005 – Ultramaratona 24 Horas – São Caetano do Sul 1º Categoria
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Dean Karnazes no Brasil em 2008

Correr é fácil
Acompanhamos 48 horas da vida de Dean Karnazes, o "Homem Ultramaratona" durante sua primeira visita ao Brasil. Entre corridas de 24 horas na esteira, tentativas de recordes mundiais e cafés expresso sem açúcar, uma coisa ficou clara: é preciso muito mais que força nas pernas e no coração para ser um ícone do esporte
(Andrea Estevam)
DEAN NÃO TEM CARRO. Ele corre ou usa bike como meio de transporte. "Num estudo nos Estados Unidos, descobriram que 40% das viagens de carro têm menos de 4 quilômetros. Daria facilmente para as pessoas correrem essa distância. Assim tiraríamos quase metade dos carros da rua", defende.
A doutrina do "você também pode" de Dean começa em sua casa: os dois filhos dele correm. A filha enfrentou sua primeira prova de 10 quilômetros quando completou 10 anos, em 2007. Dean correu ao lado dela. "Foi a prova mais legal que eu já fiz na vida", ele conta. Mas e a responsabilidade de incentivar gregos e troianos, indiscriminadamente, a desafiarem seus próprios limites, alardeando que todos podem ser supercorredores? Pergunto a ele se por acaso os médicos esportivos ainda não diagnosticaram uma certa "síndrome Karnazes": filas de neocorredores lesionados nas portas dos consultórios ortopédicos, procurando ajuda com os livros de Dean embaixo do braço. "Não me preocupo porque o corpo sabe se proteger. Se a pessoa tenta ir longe demais, o corpo pára. Não há atalhos: é preciso se comprometer e se sacrificar, senão não vai conseguir. E isso não acontece só na corrida, mas em todas as áreas da vida", defende.
O limite físico de Dean ele próprio já descobriu: "Foi quando eu corri 560 quilômetros. Na terceira noite sem dormir, estava alucinando de sono e a dor era insuportável. Minhas pernas, minha cabeça, tudo doía - até a ponta do meu nariz. Mas, inexplicavelmente, fiz os últimos 10 quilômetros em 38 minutos. Não sentia mais dor alguma, o que prova que a mente controla tudo. Hoje só paro uma prova se perceber que vou fazer mal ao meu corpo. Bolhas e cãimbras? Eu passo correndo por cima delas", ri.
Um corpo quase incansável e uma mente capaz de fazer esse corpo seguir adiante - com os dois elementos, Dean é um espécime humano de endurance invejável. Essa habilidade não aparece só nas ultramaratonas: ele já encarou triathlons e terminou em terceiro lugar o último XTerra que disputou. "Acho que posso ser ainda melhor pedalando do que correndo. Sou muito musculoso para um corredor. Talvez eu dê uma chance para as provas de bike de longa distância, mas por enquanto meu foco é a corrida. A bike exige muito tempo de dedicação, são 2 horas só para aquecer. Uma corrida de 2 horas já é um ótimo treino." Além do volume de treinamento, Dean se preocupa com o perigo da velocidade que as duas rodas proporcionam. "Fiz uma prova de 24 horas de bike e gostei. Mas é bem mais perigoso. Se você está correndo há 20 horas e cai de sono, só rala os joelhos e as mãos. Se dorme em cima da bike, pode se quebrar inteiro", compara.
CHEGO DESCANSADA ao local da feira, onde Dean já corre há 2 horas e meia. Faltam só 21 e meia para ele terminar. A esteira se move a pouco mais de 8 quilômetros por hora, em ritmo de trote. No painel há uma garrafa de Gatorade, alguns sachês de carboidrato em gel, uma toalha. Ao seu lado, no chão, estão as frutas, a água com gás e a água-de-coco, e pares de tênis enfileirados. "É para eu trocar conforme meus pés forem inchando", ele me explica. Ao redor, outras seis esteiras são palco de uma disputa paralela em que equipes se revezam durante 24 horas, fazendo companhia a Dean.
A esperança de quebrar o recorde já está esmorecida. "Estou cansado e ainda meio desidratado do vôo. O ambiente aqui está quente, e vou dando várias entrevistas enquanto corro. Para completar, meu estômago está meio esquisito", diz. Mais tarde, seu estômago "viraria" de vez e ele precisaria de remédios para controlar a situação. Quilometragem final: pouco mais de 180 quilômetros (o recorde anterior era de 247,68).
A perspectiva de não conseguir realizar algo que se propôs não abala Dean. Enquanto muitos de nós preferimos nem tentar quando achamos que podemos falhar, Karno gosta de se expor a esse risco. "Se errar, aprendo. Se você não se forçar, não sabe quanto pode ir adiante. Eu comemoro o fracasso", afirma. Nessa busca pelo limite, Dean admite que neste ano deu uma exagerada. Ele se meteu a correr todas as etapas do circuito 4Deserts, com ultramaratonas disputadas em quatro desertos pelo mundo: Atacama (Chile), Gobi (China), Saara (África) e Antártica. Dean venceu no Atacama, mas ficou com o quarto lugar em Gobi. Entre as duas provas, disputou mais uma vez a Badwater, com outro quarto lugar. "Nunca alguém fez as quatro etapas num mesmo ano. Estou aprendendo, e do jeito mais difícil, que é muita coisa. Agora só penso em terminar as quatro", diz. "No ano que vem farei menos provas para ir melhor nelas. Quero disputar a Jungle Marathon, em outubro, no Brasil. Agora já sei o caminho para o seu país", brinca.
Mas até quando ele vai continuar nessa rotina insana, que no fim das contas o afasta do prazer puro de correr? "Estou ficando mais velho e mais lento, mas minha resistência está cada vez melhor. Quero continuar explorando meus limites para ver até onde eu chego. Se acordar um dia e não gostar mais de correr, eu paro. Senão, minha linha de chegada é um caixão de madeira."
Maratonista mais rápido da História

Maratonista mais rápido
O maratonista Haile Gebreselassie (Etiópia) já era detentor de muitos recordes em 2000, mas sua maior realização na década ocorreu em 28/9/2008, na 35ª maratona de Berlim. Haile já havia registrado um tempo recorde no ano anterior, 2h4min26s, também na maratona de Berlim. O maratonista conquistou ainda títulos mundiais nas categorias de 1.500m, 3.000m, 5.000m, 10.000m, cross country e meia maratona e ganhou dois ouros olímpicos nos 10.000m, em 1996 e 2000. Por não ter competido nas Olimpíadas de Pequim em 2008, estava completamente descansado e preparado para aquela que foi a maratona mais rápida da história. Os quatro líderes ultrapassaram os demais logo no início e, após 5km, havia certa preocupação, já que tinham acelerado demais. À medida que o ritmo diminuía, Gebreselassie ainda estava no páreo para um recorde no km 20. No mesmo ano, Haile tinha afirmado: “Claro, é possível completar em menos de 2h4min, mas tudo tem que ser perfeito”. Nessa competição, Gebreselassie cruzou a linha de chegada com impressionantes 2h3min59s, finalizando a maratona perfeita.
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